1º de Maio denuncia torneiras secas e exploração da classe trabalhadora
Do 18 do Forte até o Bairro Industrial, Marcha da Classe Trabalhadora luta contra exploração exaustiva, pelo fim da escala 6x1 e contra a privatização da água em Sergipe
Publicado: 01 Maio, 2026 - 17h22 | Última modificação: 01 Maio, 2026 - 18h02
Escrito por: Iracema Corso
Mais de 2.000 trabalhadores ocuparam as ruas de Aracaju construindo a Marcha da Classe Trabalhadora de Sergipe que saiu do Bairro 18 do Forte até o Bairro Industrial, na manhã desta sexta-feira, dia 1º de maio, Dia Internacional da Classe Trabalhadora.
Neste 1º de maio, a classe trabalhadora foi às ruas contra a privatização da água em Sergipe, pela redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1, sem redução de salários, pelo combate ao feminicídio, o enfrentamento à pejotização e pelo fortalecimento das negociações coletivas e a regulamentação do trabalho por aplicativos.
SEM ANISTIA PRA GOLPISTAS
Manifestantes vaiaram os nomes dos senadores Alessandro Vieira (MDB) e Laércio Oliveira (PP) e dos deputados federais Fábio Reis (PSD), Gustinho Ribeiro (PP), Rodrigo Valadares (PL), Ícaro de Valmir (Republicanos) e Thiago de Joaldo (Republicanos) que votaram a favor da redução de penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado e invasão da sede dos três Poderes em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023. Trabalhadores levaram cartazes para expressar sua insatisfação com a votação do Congresso Nacional com as palavras “Sem anistia pra Golpistas!” e "Congresso Inimigo do Povo".
CHEGA DE TORNEIRAS SECAS
Para protestar contra a privatização da água em Sergipe que gerou uma crise no abastecimento deixando mais de 900.000 pessoas em Sergipe sem água, a CUT levou cartazes dizendo: “A Iguá será a nossa Braskem”, em referência à empresa privada que causou irreparável prejuízo à população de Maceió, no estado vizinho de Alagoas.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-SE) e do SINTESE, professor Roberto Silva, resgatou a luta e a resistência do movimento sindical de Sergipe, em 2024, quando o governador do PSD privatizou a água em Sergipe.
“Mesmo com a nossa luta, resistência e diálogo com a população mostrando quais seriam os impactos negativos da privatização, a água foi privatizada. E hoje o povo sergipano sofre com a falta de água em todo o estado, capital e interior, e o aumento exorbitante da tarifa. É uma combinação que afeta a vida da classe trabalhadora, e está gerando muita revolta”, declarou Roberto Silva.
FIM DA ESCALA 6X1 E REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO
“Presta a atenção, trabalhador, só é a favor da 6x1 quem nunca trabalhou”, cantaram os manifestantes neste 1º de Maio para mobilizar a população de Aracaju contra esta jornada de trabalho exaustiva que só permite 1 dia de descanso para a classe trabalhadora que segue adoecida, com impactos na saúde física e mental, além da negação do direito ao convívio familiar.
“Este 1º de maio foi um dia extremamente importante de unidade da classe trabalhadora. Desde 2014 que, em Sergipe, a gente constrói a luta unificada do movimento sindical, social e estudantil. Com unidade, temos construído grandes lutas, e seguiremos assim rumo à construção do Grito dos Excluídos”, afirmou Roberto Silva, presidente da CUT-SE.
Durante a manifestação, o presidente da CUT-SE também pediu solidariedade dos demais sindicatos ao SINDISCOSE, cujo presidente foi intimado a ir até a 1ª Delegacia Metropolitana de Aracaju para prestar depoimento apenas pelo exercício da atividade sindical cobrando transparência no uso de recursos públicos (acesse o link e saiba mais). “Lutar por direito do trabalhador não é crime!”, reforçou Roberto Silva durante a manifestação.
O ato do 1º de Maio foi organizado pela CUT, CTB, UGT, CSP-Conlutas, Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo e Frente Povo na Rua.
SINDOMÉSTICA, SINDISAN, SINDIPREV/SE, SINTESE, SINDIJUS, FETAM, SINDIPEMA, SINDISCOSE, SINTECT/SE, SINERGIA, SEPUMM, SINDACSEI, Sindserv Poço Verde, SINDSF, SINDASSE, SACEMA, SINDSEMB, UGT, CTB, CSP-Conlutas, MST, MTST e MOTU foram algumas das várias organizações do movimento sindical, social e estudantil que participaram do protesto do 1º de maio em Sergipe.
