Escrito por: Iracema Corso
“A classe trabalhadora tem projeto para a Universidade Estadual de Sergipe”, diz Caroline Santos (CUT/SE)
No auditório da Central Única dos Trabalhadores (CUT/Sergipe), o 1° Seminário Universidade Estadual de Sergipe tratou sobre 'A Continuidade da Política de Expansão da UFS em Sergipe e a Criação da Universidade Estadual: desafios e possibilidades'. A atividade realizada na manhã desta terça-feira, dia 25 de fevereiro, reuniu professores, estudantes, movimento sindical e estudantil de Sergipe.
O Seminário foi o primeiro de muitos encontros que serão realizados para aprofundar o debate sobre a criação da Universidade Estadual de Sergipe. Inclusive, um dos encaminhamentos aprovados no Seminário foi a criação de uma Frente em Defesa da Educação Pública em Sergipe.
A preocupação sobre a educação no estado de Sergipe se acentuou depois que o professor Roberto Silva, presidente da CUT Sergipe e do Sintese, apresentou dados estarrecedores sobre a realidade do ensino básico no estado de Sergipe.
Um total de 11.341 crianças e adolescentes deixaram de cursar o Ensino Básico por falta de vaga nas escolas entre os anos 2017 e 2024.
“A realidade em 2025 está ainda pior. Nós que somos professores ouvimos os apelos das famílias na busca por educação. O ensino básico é obrigação prioritária do Governo de Sergipe. Antes tínhamos as filas que pressionavam os governantes a criar vagas no ensino público. Agora, com a matrícula online, os alunos ficam fora da escola. A política de educação do Governo estadual nega o acesso à educação básica”, denunciou Roberto Silva.
A ex-deputada estadual, professora Ana Lucia Vieira, fez um resgate dos debates que já foram realizados para a criação da Universidade Estadual de Sergipe. Ana ressaltou que existem problemas na educação básica que são prioritários e devem ser resolvidos com urgência, pois já está delimitado na legislação da educação que cada ente federativo tem seu papel e sua prioridade.
Dirigente do CNTE e da CUT Sergipe, Ivonete Cruz revelou que a garantia do direito à educação em Sergipe depende de uma solução relativa ao financiamento.
“Há uma trava no MEC para não entrar neste projeto de lei a complementação da União para o financiamento da educação pública, devido aos limites do ajuste fiscal. Por isso foi derrubada a possibilidade de desenvolver uma política de educação que valorize os trabalhadores e garanta uma educação pública de qualidade social para crianças, adolescentes e a juventude de Sergipe”, Ivonete CNTE e CUT.
O presidente da ADUFS, Romero Venâncio, destacou que: “autonomia e financiamento são questionamentos centrais que precisam ser feitos a respeito do projeto da Universidade Estadual de Sergipe. É interessante para a juventude já criar uma universidade precarizada? Uma universidade que vai empobrecer o ensino fundamental e o ensino médio?”, questionou o professor Romero.
Em um comparativo com os problemas enfrentados pela UFS, Taira Cris Moreira, coordenadora geral do Sintufs, alertou que a expansão da UFS está acontecendo com emenda parlamentar e que antes de criar uma universidade é preciso que haja uma política de financiamento efetiva.
“Precisamos saber quais as condições objetivas nós temos para criar uma Universidade Estadual. Precisamos saber como vamos conseguir absorver o estudante e como isso vai contribuir para o estado de Sergipe. Pelos anos de trabalho e experiência na UFS, é do nosso interesse participar deste debate”, declarou Taira.
O professor do IFS, José Correia, dirigente sindical do SINASEFE, destacou que um dos objetivos do Instituto Federal quando foi criado em 2010 era auxiliar no desenvolvimento de Sergipe sem concorrer com a UFS, mas colaborando com a formação profissional da população.
“Nós, aqui no campus de São Cristóvão, enfrentamos muitos problemas estruturais: falta transporte e alimentação. É preciso criar mini refeitórios. O estudante passa o dia inteiro no instituto. Muitos estão localizados bem distantes. Então é preciso encontrar condições mínimas para não perdermos alunos que acabam desistindo dos cursos”, explicou o professor Correia.
Sobre os impactos para a criação de uma universidade estadual, o estudante do DCE da UFS, Fábio Henrique de Souza, defendeu que a luta pelo direito ao fundo da educação e por uma política de financiamento da educação é crucial para começo do debate. Fábio Henrique revelou que 70% dos estudantes do campus Lagarto vem de outros estados. “Isso foge da missão da UFS que é gerar desenvolvimento para o estado de Sergipe”.
O estudante Mateus Henriques, do Movimento Correnteza, criticou a política nacional de financiamento da educação que direciona boa parte do orçamento público para instituições privadas. Ele ressalta que a rede privada representa 79% das vagas de ensino superior público no Brasil.
“Não faz sentido tirar recurso da educação básica para fazer uma universidade. O governador que ataca os professores da rede estadual de ensino anuncia a criação de uma universidade estadual com qual objetivo? Somos contra um projeto político de destruição do ensino público.
A professora Bartira Teles acrescentou: “nossa proposta é universalização do acesso ao ensino público. A gente precisa fazer a disputa do fundo público para a educação. A gente tem uma juventude empobrecida que já começa a vida endividada e assim financia um projeto privado de educação”, resumiu a professora da UFS.
A vice-presidenta da CUT/SE, Caroline Santos, reforçou que o debate sobre a temática vai continuar e assim finalizou o 1º Seminário da Universidade Estadual de Sergipe que reuniu lideranças do movimento sindical, do SINTESE, da ADUFS, do SINTUFS, do SINASEFE, da CNTE, além de estudantes e professores do IFS e da UFS.