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Campanha ‘Negros e Negras pela Vida’ é lançada pelo Fórum de Entidades Negras de SE

No dia da Independência do Brasil, 26º Grito dos Excluídos percorreu bairros 18 do Forte e Cidade Nova denunciando violência do Estado através da Polícia e genocídio da juventude negra na periferia de Sergipe

Publicado: 08 Setembro, 2020 - 20h38 | Última modificação: 08 Setembro, 2020 - 21h09

Escrito por: Iracema Corso

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Ao invés do protesto depois do desfile cívico na Avenida Barão de Maruim, no dia 7 de setembro, o 26º Grito dos Excluídos com o tema ‘Chega de miséria, preconceito e repressão, queremos teto, terra e participação!’ partiu do bairro 18 do Forte, em Aracaju, numa caminhada até o bairro Cidade Nova. A manifestação se somou ao grande e lindo ato de lançamento da campanha ‘Negros e Negras pela Vida’, do Fórum de Entidades Negras de Sergipe.

Membro do Fórum de Entidades Negras de Sergipe e secretária de Combate ao Racismo da CUT/SE, a professora Arlete Silva afirmou que um dos objetivos do ato foi denunciar e repercutir o genocídio da população negra. “Os jovens negros estão morrendo em ações da Polícia. A Polícia Militar de Sergipe, no Atlas da Violência, conquistou o 3º lugar no ranking nacional entre as polícias do Brasil que mais mata”, denunciou. A professora Arlete Silva destacou a importância da presença de mães de jovens executados no bairro Cidade Nova.


“Eu vim expressar a minha dor. Eu não queria nem ter vindo aqui neste local, mas a minha missão é maior. Vim mostrar a minha indignação com tanta covardia que foi feita com o meu filho, morto de forma tão covarde. Eles ainda têm coragem de dizer que foi por legítima defesa. O meu filho estava ajoelhado, de costas e aquele covarde, fardado, apontou a arma, atirou pra cima, sorriu do desespero do meu filho e atirou nas costas dele. Foram 6 tiros covardemente!”, denunciou emocionada a senhora Angélica, mãe do Anthony Sheldon, de 22 anos.

A senhora Sueli, mãe dos jovens Daniel e Diogo Machado, executados dentro de casa também participou do ato e falou do seu sofrimento diante da injustiça. “Aqueles que se sentirem no direito de executar tem que responder. Estamos aqui para pedir justiça. Desde já, quero agradecer a cada um de vocês, que nem me conhecem e nem conheciam a mãe do Tony, mas abraçaram a nossa causa. Agradeço, primeiro a Deus porque move céus e terras, depois a vocês que com suas diferentes crenças e religiões estão aqui unidos. Não queremos que estas pessoas que assassinaram nossos filhos venham morrer. Queremos ver eles pagarem pelo crime que cometeram”, desabafou.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), Roberto Silva, reforçou que o 7 de setembro foi só o lançamento da Campanha ‘Negros e Negras Pela Vida’ que deve se expandir em outras ações. “O que acontece em Sergipe e no Brasil é a expressão do preconceito e da repressão promovidos pelo estado brasileiro através da força policial, e é preciso trazer essa mensagem, porque se não colocar o dedo na ferida, a realidade não muda”.

Sindicatos filiados a todas as centrais sindicais, além da Associação Abaô de Capoeira, Auto Organização de Mulheres Negras Rejane Maria, Unegro, MNU, Coletivo Beatriz Nascimento, Neabi, Coletivo Ginka, ALPV, Instituto Braços, Coletivo Casa das Áfricas, Copvida, Coletivo de Negros e Negras do Psol, Geteq/UFS, Casa Mar, Omolyaie, Comunidade Oju Ifa, Punhos de Ouro e MST participaram da construção do ato, que contou com apoio e boa recepção de toda a comunidade do entorno.