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Conselheiros do TCE votam pela saída de Clóvis Barbosa

Para a CUT, a decisão representa um retrocesso à conquista recente de credibilidade do TCE junto à população sergipana

Publicado: 02 Agosto, 2019 - 11h22 | Última modificação: 02 Agosto, 2019 - 11h37

Escrito por: Iracema Corso

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Na manhã de quinta-feira, dia 1° de agosto, a Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE) fez novo protesto usando o simbolismo do doce de leite e pizza contra o retorno de Flávio Conceição ao TCE (Tribunal de Contas do Estado de Sergipe).

Depois de dois adiamentos, o TCE decidiu por unanimidade não acatar os embargos declaratórios apresentados pela defesa de Clóvis Barbosa. Portanto, caso ocorra o retorno de Flávio Conceição, ele ocupará a vaga do conselheiro Clóvis Barbosa.

O voto do conselheiro do TCE, relator de todo o processo, Carlos Alberto Sobral foi o mesmo dos demais conselheiros, Suzana Azevedo, Carlos Pina, Angélica Guimarães e o presidente do TCE, Ulisses Andrade.

Na ótica do presidente da Central Única dos Trabalhadores, Rubens Marques, essa decisão já representa um retrocesso.

"A senha foi dada hoje. A maioria absoluta do Tribunal de Contas está fechada com Flávio Conceição, com exceção de Clóvis Barbosa, isso é muito ruim. Vamos continuar fazendo a denúncia para que a Operação Navalha não termine em pizza e em doce de leite. O papel da CUT é de acompanhar e denunciar uma votação como esta que interessa demais aos servidores do estado, dos municípios sergipanos, pois estamos falando de um Tribunal que fiscaliza contas dos prefeitos e do governador", observou o professor Dudu.

Para o presidente da CUT/SE, a decisão unânime dos demais conselheiros pela saída de Clóvis Barbosa é sintomática. "O Tribunal de Contas era chamado de 'Tribunal de Faz de Contas'. Depois de curto período na presidência de Clóvis Barbosa, o tribunal abriu as portas para o movimento sindical fazer denúncias. Os sindicatos foram bem acolhidos no tribunal, principalmente a partir do momento em que Clóvis tomou uma decisão monocrática, atendendo a uma provocação dos sindicatos, de impedir que o prefeito que não pagou o salário do servidor faça festa, contrate bandas e também quando começou a rankear as prefeituras que tratam o recurso público com transparência. Clóvis Barbosa foi um ponto fora da curva na história deste tribunal que não orgulha nem um pouco o povo sergipano".

O diretor de Formação da CUT/SE, Roberto Silva, acompanhou a sessão e participou novamente do terceiro protesto na porta do TCE. "É um grande retrocesso. Clóvis colocou o tribunal num papel de destaque e de credibilidade junto à sociedade. Essa é uma decisão do pleno do Tribunal que o envergonha, nós lamentamos, porque acaba colocando o Tribunal nas páginas tristes e envergonhadas da história. A CUT vai continuar a luta contra a impunidade, denunciando e protestando para que Flávio Conceição não retorne às cadeiras do Tribunal de Contas".

 

Histórico

A CUT/SE realizou três protestos na porta do TCE para demarcar a luta contra a impunidade, referente ao resultado da Operação Navalha que desvendou um esquema de corrupção envolvendo o então conselheiro do TCE, Flávio Conceição.

Na ocasião, o conselheiro foi afastado e aposentado compulsoriamente acusado de envolvimento no desvio de verbas públicas relacionadas à duplicação da adutora do Rio São Francisco. No entanto, todos os envolvidos foram inocentados no ano passado por invalidação das provas e a defesa de Flávio Conceição ingressou com pedido de retorno do ex-conselheiro ao TCE, mas o Ministério Público Federal recorreu da sentença e ainda não há definição sobre o assunto.

Apesar da decisão contra os embargos de Clóvis Barbosa tomada na manhã desta quinta-feira, o Tribunal ainda não decidiu sobre os pedidos formalizados por Flávio Conceição para retornar ao TCE.