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CUT completa 38 anos de atuação nas lutas dos trabalhadores sergipanos

Publicado: 30 Agosto, 2021 - 15h47 | Última modificação: 30 Agosto, 2021 - 16h13

Escrito por: Iracema Corso

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No último sábado, 28/8, a maior central sindical da América Latina, a 5ª maior do mundo, a combativa Central Única dos Trabalhadores (CUT) completou 38 anos de existência. Fundada pelo CONCLAT – Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, a CUT nasceu de um ato ousado de desobediência civil, pois a legislação vigente proibia a existência de centrais sindicais.

No estado de Sergipe, desde a fundação da CUT aos dias atuais, as ações da central sindical expressam seu compromisso com a união das trabalhadoras e trabalhadores, a solidariedade de classe e a construção diária da luta do movimento sindical e social pelo avanço da democracia no Brasil.

O líder camponês Dionízio Cruz, os operários Rômulo Rodrigues e Edmilson Araújo foram lideranças que fundaram a CUT Sergipe, no início da década de 80, num contexto de luta em defesa dos trabalhadores da Nitrofértil/Fafen, ascensão das lutas dos servidores públicos, da organização do Pólo Sindical Rural do Baixo São Francisco, do surgimento de novos sindicatos e da proliferação das oposições sindicais.

Desde a fundação da CUT/SE até os dias atuais, a central sindical foi presidida por Dionízio Cruz (Agricultor), Rômulo Rodrigues (Petroquímico), Edmilson Araújo (Petroquímico), Paulo Roberto Aragão (Petroquímico), Francisco Gualberto (Petroquímico), Rosângela Santana (Professora), Ana Lúcia (Professora), Antônio Góis (Urbanitário), Rubens Marques (Professor) e atualmente é presidida por Roberto Silva (Professor).
Zé Roberto, coordenador do Movimento Sem-Terra (MST) em Sergipe recordou das lutas nas décadas de 80 e 90 aqui no Estado.

“A CUT foi o principal instrumento em defesa dos trabalhadores e contra o capital. A criação do Departamento Rural da CUT alavancou em Sergipe a construção da luta pela terra. A CUT apoiou os sindicatos combativos que iniciaram os Polos Sindicais e fizeram ocupações na Barra da Onça. No município de Poço Redondo fica a maior delas. Nos demais conflitos de terra em Sergipe, a CUT deu uma contribuição importantíssima. Hoje, os desafios são grandes, os inimigos dos trabalhadores se qualificaram e é preciso fortalecer a luta, fortalecer a central para a vitória, o combate à exploração e em defesa dos trabalhadores”, afirmou Zé Roberto.

No Estado de Sergipe, hoje a CUT reúne aproximadamente 85 sindicatos, dentre os quais cerca de 56 sindicatos do serviço público. O ex-presidente da CUT, Rubens Marques, conhecido professor Dudu registrou como um dos marcos na história da CUT, a fundação da Federação dos Servidores Municipais de Sergipe (FETAM) em 2010.

Segundo Dudu, o então presidente da CUT Antônio Góis priorizou a empreitada. “No início eu e Ivônia e viajamos pelo estado para organizar os servidores em sindicatos, num segundo momento eu, Ivônia e Zé Carlos, no terceiro momento eu, Ivônia e Josuel e até o fim eu e Ivônia. Fundamos mais de 50 entidades fazendo formação teórica e também prática, e a CUT introduzindo-os no calendário de lutas de todas as categorias em Aracaju, mas também nos próprios municípios, porque somente os manuais não formam os militantes para a luta de classes”, registrou Dudu.

 

Dirigente do SINDIJUS (Judiciário) e secretário de Comunicação da CUT Sergipe, Plínio Pugliesi afirmou que experiência de luta dentro da CUT é uma importante escola.

“Para sindicatos que possuem estrutura e uma base grande de sindicalizados em Sergipe, a central foi uma escola imprescindível para que essas categorias praticassem um sindicalismo combativo, classista e democrático. Isso aconteceu através da filiação desses sindicatos e, em alguns casos, através da organização de oposições sindicais que libertaram esses sindicatos de concepções pelegas atreladas ao patronato e, hoje, se tornaram entidades combativas respeitadas no estado”, explicou Plínio.

No setor privado, a CUT reúne mais de 29 sindicatos filiados, a exemplo do Sindicato dos Jornalistas, o Sindicato das Trabalhadoras Domésticas, entre vários outros.

Os trabalhadores Gilton dos Santos e Antônio Fernandes (SINERGIA/SE) participam das lutas da CUT desde antes da privatização da Energipe, em 1998. “O que aprendi ao longo dos anos junto à CUT foi a ser resistente, mesmo que o sistema seja contrário. Temos hoje um governo que detona com os trabalhadores, inclusive privatizando a Eletrobrás, a Petrobrás, os Correios, empresas fundamentais para o desenvolvimento do Brasil. Apesar deste cenário, temos na CUT a força da resistência. A gente sabe com quem a pode contar e a gente conta com a CUT Sergipe sempre”, afirmou Gilton dos Santos.

Gilton resgatou a luta contra a privatização da Eletrobrás e os recentes protestos contra o aumento do preço do gás combustível na porta da Sergás.

Antônio Fernandes contou sua experiência de formação sindical junto à CUT. “Quero registrar que a CUT sempre lutou em defesa dos trabalhadores do setor público e do setor privado. Nesses 38 anos, nunca deixou de estar presente na luta do Sinergia. Em formação sindical, a CUT Sergipe tem uma atuação brilhante, de referência nacional, assim como a organização da resistência contra as privatizações. Além da luta diária, a capacidade de olhar o que está além, para onde precisamos avançar, a disputa política, o enfrentamento contra os ataques no Congresso Nacional, o feminismo, o jovem desempregado, tudo isso está no horizonte para a formulação de estratégia política da CUT”, afirmou.

Construindo o Amanhã
Passados 38 anos de luta pela consolidação da democracia e pelos direitos da classe trabalhadora, hoje, o cenário político parece tão desafiador quanto o momento de sua fundação devido aos atentados constantes contra a constituição e a democracia brasileira; o desmonte do serviço público, a fome e o desemprego que jogou milhares de trabalhadores na informalidade.

Vice-presidenta do Sindomestica/SE e dirigente da CUT, Quitéria Santos participou de várias reuniões com Associações de trabalhadores autônomos, da agricultura familiar, pescadores, marisqueiras, artesãos, entre outras categorias de trabalhadores informais, até culminar no ato de filiação Coletiva, realizado na sede da CUT Sergipe, no dia 20 de novembro de 2020. “A CUT não faz ‘vista grossa’ para a trabalhadora e para o trabalhador que está passando dificuldade. É uma central sindical solidária e que fortalece os trabalhadores lutando pelos menos favorecidos”, afirmou Quitéria.

Coordenadora do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) em Sergipe, Izadora Brito destacou que nesta pandemia, com todas as dificuldades impostas à população e com o governo Bolsonaro decidido a ‘passar a boiada’, a atuação da CUT foi decisiva. “A luta da classe trabalhadora sempre foi bandeira prioritária da CUT em Sergipe, independentemente de coletivo, de partido... Isso é importante e se consolida ao longo da mudança da diretoria, é uma marca que é mantida”, afirmou.

Izadora citou o trabalho da CUT na construção da campanha Fora Bolsonaro, na Despejo Zero, entre outras ações de rua. “Essa construção muito árdua da unidade da esquerda tem sido essencial para a retomada das ruas em Sergipe. E é preciso seguir forte na ocupação das ruas, porque a gente precisa sobreviver ao vírus, à fome, ao desemprego, a toda essa miséria e ao mesmo tempo pensar na construção do amanhã. Não tem 2022 se a gente não construir 2021, a gente precisa manter esta unidade e o calor forte das ruas, porque senão não vai ter saída democrática”, alertou.

Sobre o aniversário de 38 anos da CUT, o atual presidente Roberto Silva, vice-presidente do SINTESE comemora a conquista de um papel referencial junto a várias categorias de trabalhadores, militantes do movimento sindical e social.

“A CUT sempre foi combativa, e aos 38 anos é uma CUT madura que tem segurança em defender os direitos dos trabalhadores, e vai continuar organizando e defendendo os trabalhadores. Foi para isso que a central nasceu e por isso é respeitada em seus atos pela população. A melhor comemoração deste aniversário é o reconhecimento da classe trabalhadora pelo papel que a CUT vem desemprenhando ao longo destes 38 anos”, afirmou Roberto.

Para celebrar os 38 anos de aniversário, a CUT Brasil realizou uma live no último sábado com debates e informações importantes sobre os próximos passos da luta da classe trabalhadora no País (acesse o link e confira).