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Encontro Estadual de Mulheres Cutistas discutiu ‘A Mulher na Política’

Publicado: 29 Julho, 2020 - 15h56 | Última modificação: 29 Julho, 2020 - 16h06

Escrito por: Iracema Corso

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Sozinhas, as mulheres brasileiras são economicamente responsáveis por 40% dos lares, estão presentes em 44% do mercado formal – mesmo com salários 20% menores em relação aos homens. Quando o assunto é política, em outras palavras: poder, as mulheres ocupam míseros 12,32% dos cargos eletivos, segundo o Mapa da Política de 2019, elaborado pela Procuradoria da Mulher no Senado. Assim, em ano eleitoral, o Encontro Estadual de Mulheres Cutistas decidiu debater sobre o tema: A Mulher na Política, conduzido pela dirigente da CUT Nacional Junéia Batista.

O encontro virtual que aconteceu na tarde da terça-feira, dia 28 de julho, contou com a presença de várias dirigentes sindicais, trabalhadoras e lideranças políticas.

A secretária da Mulher da CUT/SE, Cláudia Oliveira, destacou que a participação da mulher nesta luta por igualdade de direitos é muito importante. “Não serão homens que vão reivindicar direitos para as mulheres, seremos nós, mulheres que estamos no dia-a-dia trabalhando, cuidando do nosso lar e dos nossos filhos. Agora com esta pandemia estamos também com o ‘escritório de trabalho em casa’ e com uma sobrecarga muito maior para poder sobreviver”, observou.

Para Joelma Dias, dirigente do Sindipema e secretária de Organização e Política Sindical da CUT/SE, participou do encontro e afirmou que ainda é muito pouca a quantidade de mulheres na disputa eleitoral.

“Mesmo com a cota de 30%, não estamos vendo a participação na política que as mulheres merecem ter. A mulher tem uma importância econômica, social e precisa estar na política vencendo o medo de enfrentar os homens nesta batalha, de enfrentar o machismo e patriarcado no governo Bolsonaro. Outras questões importantes que discutimos: quais mulheres iremos atingir quando colocamos o nosso nome para disputar política? A mulher trans, a mulher negra? Como contemplar todas as mulheres independente da classe econômica? São muitos anos de cultura machista, por isso 30% de cota para mulheres ainda não é o suficiente”, destacou Joelma.

A ex-deputada Ana Lúcia Vieira participou do encontro e elogiou o alto nível do debate.

“O debate trazido por Junéia Batista foi muito bom. Ela é uma sergipana da região do Baixo São Francisco muito comprometida, uma assistente social articulada nacionalmente e internacionalmente com a luta das mulheres. Junéia fez uma exposição importante sobre a baixa representatividade feminina nos espaços do poder e sobre a necessidade de nós, mulheres, centrarmos na pauta da mulher trabalhadora. O processo de exploração da mulher no mundo do trabalho é muito mais profundo do que parece ser. A funcionária pública recebe o mesmo que o funcionário público? Não é bem assim. Assumimos tarefas domésticas, o cuidado com os idosos, um trabalho não remunerado e desvalorizado. Então a exploração da mulher fica escamoteada”, denunciou a professora e ex-deputada.

Ana Lúcia revelou algumas dificuldades enfrentadas na luta contra o machismo durante sua trajetória política, marcada por três mandatos de deputada estadual, além da atuação no Executivo Estadual e Municipal de Aracaju.

“Fui eleita por uma classe média de esquerda progressista e nos espaços de poder encontrei mulheres que substituem o espaço antes ocupado pelo pai ou irmão, pois uma coisa é estar lá representando um projeto político ideológico. Outra coisa é representar a visão política conservadora herdada de sua família. Então este encontro foi um processo educativo e juntas conseguimos criar a Frente Parlamentar de Defesa da Mulher”, recordou.

Sara Cavalcante de Ó, coordenadora geral do Sindjus (Judiciário), também participou do encontro e parabenizou a Secretaria de Mulher da CUT/SE pela iniciativa em promover via online o Encontro Estadual de Mulheres Cutistas. “Para mim foi de bastante aprendizado e orgulho ouvir vozes femininas tão empenhadas em colocar no cenário a representatividade das mulheres na política, o debate ainda se encontra muito distante do desejado, muitas mulheres têm dificuldades de ocupar cargos de poder, serem eleitas ou terem voz ativa nas tomadas de decisões políticas, infelizmente essa exclusão é histórica, não vamos desistir, avante”.