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Expostos ao Covid-19, trabalhadores da saúde cobram proteção em Sergipe

Adicional de insalubridade, testagem, amparo médico e psicológico aos contaminados por Covid-19 estão entre as principais exigências dos profissionais da saúde de Sergipe

Publicado: 29 Junho, 2020 - 17h18 | Última modificação: 29 Junho, 2020 - 17h22

Escrito por: Iracema Corso

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“Medo, insegurança e tristeza, este é o sentimento da maioria dos trabalhadores da saúde de Sergipe que têm enfrentado diariamente a guerra contra a Covid-19”. O relato é do senhor Aja Habib (57 anos) que trabalhou no HUSE e está entre os mais de 1.846 trabalhadores da saúde que foram contaminados pelo Coronavírus (segundo dados da Secretaria da Saúde divulgados no Jornal da Cidade).

“Graças a Deus eu me recuperei. Trabalho no Case (Centro de Atenção à Saúde de Sergipe) e no meu setor, além de mim, outro profissional foi infectado. Sabemos que no Samu e HUSE a contaminação é grande. Não está sendo uma batalha fácil”, afirmou Aja Habib.

Secretário de Finanças do SINDIPREV/SE (Previdenciários), Ulisses Freitas também trabalha no HUSE e afirmou que o sindicato tem estado em contato permanente com os trabalhadores da saúde para a cobrança dos direitos e para atender às necessidades na medida do possível. “Acompanhamos o cumprimento dos decretos que afastaram servidores com comorbidades, distribuímos máscaras para quem está na linha de frente. Atualmente, a principal queixa na gestão estadual e municipal de Aracaju pela falta de uma política que acompanhe os que adoecem com TESTES, médicos, Psicólogos, Assistentes Sociais e Psiquiatras, se necessário”, afirmou.

Segundo Ulisses Freitas, atendendo a esta queixa da categoria, o SINDIPREV/SE vai disponibilizar acompanhamento psicológico a todos que necessitarem.


Insalubridade e Direitos
 
Diante do risco diário de contaminação, muitos profissionais de saúde que atuam dentro dos hospitais ainda lutam para receber o adicional por insalubridade, além do cumprimento de direitos conquistados.

De acordo com Anselmo Menezes, dirigente do SINDASSE (Assistente Sociais), mais de uma dezena de assistentes sociais foram contaminados pela Covid-19, visto que os profissionais do SUS (Sistema Único de Saúde) e do SUAS (Sistema Único de Assistência Social) também estão na linha de frente do combate ao vírus.

 “Já em março, o SINDASSE distribuiu protetores faciais para todos os sindicalizados e cobramos EPIs. A falta de EPIs no início da pandemia era recorrente, tendo diminuído um pouco com o passar do tempo. Ainda cobramos testagem e o cumprimento do decreto do governo que suspendeu a biometria para o registro do ponto de todos os trabalhadores enquanto durar a pandemia, enfrentamos a recusa da chefia imediata que continuou exigindo a biometria. O sindicato também luta pelo pagamento do adicional de insalubridade em grau máximo (40%)”, afirmou Anselmo Menezes.  

O assistente social Anselmo Menezes ressaltou que o risco imposto a todos os trabalhadores da saúde neste momento não pode ser compensado de nenhuma maneira. “É um risco que se estende aos familiares, é uma situação muito difícil. Não podemos, portanto, atravessar este momento tendo falta de reconhecimento pelo nosso trabalho. Assim como não podemos aceitar que os nossos direitos sejam negados”, reforçou.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), Roberto Silva, destacou que a CUT já pediu audiência com as Secretarias de Saúde do Estado e do Município de Aracaju para tratar desta pauta da insalubridade, bem como a revisão salarial. “Melhor do que serem vistos como heróis, essas pessoas que arriscam suas vidas diariamente são, antes de tudo, trabalhadores que precisam ser valorizados”, criticou.