Escrito por: CUT Sergipe

Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais de SE denuncia impactos no meio ambiente

Em Carmópolis, Barra dos Coqueiros e Pirambu, parques eólicos, usinas termelétricas e poços de petróleo geram impactos negativos ao meio ambiente impedindo o sustento de famílias quilombolas e a pesca artesanal

Em visita pelos municípios sergipanos de Carmópolis, Barra dos Coqueiros e Pirambu, o Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais de Sergipe foi até Usina Termoelétrica Porto de Sergipe I, Parque Eólico Barra dos Coqueiros, e poços de petróleo da Carmo Energy (antigos poços da Petrobrás) que estão em atividade e também os que estão desativados.

As lideranças sindicais e dos movimentos sociais dialogaram com a população do entorno, promovendo reflexões sobre o racismo ambiental e os impactos que esses chamados “empreendimentos” provocam nas comunidades tradicionais presentes nos municípios sergipanos.

A diretora da Central Única dos Trabalhadores (CUT-SE) e presidenta do SINDOMÉSTICA/SE, Quitéria Santos, participou desta comitiva que fez uma visita elucidativa, no dia 27 de março, pelos três municípios sergipanos.

“A situação está bem crítica. Fizeram poços, tiraram minerais do nosso estado, e deixaram lá os buracos e pedaços de ferro abandonados, enferrujados, poluindo a natureza. E a comunidade local como é que fica? O barulho da indústria eólica é bem insuportável e causa afastamento de aves, abelhas, insetos, e principalmente peixes, que são o ganha pão dos pescadores. Tem áreas que não pode pescar, é proibido. Em outras áreas, pode se esculhambar a rede de pesca, e ninguém se responsabiliza, quem paga a conta é o pescador”, afirmou Quitéria Santos.

O presidente da associação Quilombola do Pontal da Barra, Robério Manoel da Silva, contou que houve um acidente com os barqueiros e mais 2 ajudantes. “O navio da Petrobras que abastece de petróleo se chocou com o barco do pescador. Um rapaz faleceu, outro ficou paralítico, o barco foi levado com guincho e colocado lá na sede da empresa. O pescador, desesperado, nunca foi indenizado”, explicou seu Robério.

Além do barulho e extinção de espécies, os moradores se queixam do impacto negativo no turismo local e na atividade de pesca que sustenta famílias.

“Hoje a praia parece um cemitério. Não tem mais ninguém, é um deserto. Poucas pessoas ficaram e resistiram, outros querem sair por causa do barulho do maquinário e peças. Para movimentar as hélices, eles pegam água do mar, aquecem a água e devolvem a água para o mar. Isso está levando à mortandade de peixes nessa região. Os peixes desapareceram, e isso afeta a sobrevivência de muitas famílias”, revelou Quitéria Santos.

A comitiva que visitou os municípios Carmópolis, Barra dos Coqueiros e Pirambu, a convite do Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais de Sergipe foi formada pelo Mangue Jornalismo, Portal 350 vozes, Afronte, OAB - Comissão de Direitos Humanos, Instituto Braços, Escritório de Advocacia Dra. Jane, Instituto Raízes, Mandata Sônia Meire, Movimento ViraMundo, DCE da UFS, CPP, Movimento Cuidando de Areia Branca e a CUT.

Entre os novos encaminhamentos de luta, o Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais de Sergipe se prepara para participar, no próximo fim de semana, no dia 11 de abril, da Audiência pública na comunidade do Pontal da Barra sobre os impactos ambientais na comunidade do projeto Sergipe Águas Profundas.

Haverá uma segunda visita Turismo Realidade, dessa vez no Quilombo da Mussuca, no município de Laranjeiras, com data a ser definida. Na ocasião, serão observados os impactos da mineração dentro da comunidade quilombola.