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“Governo quer levar trabalhador rural à condição de indigente”

Denunciou a vice-presidente da CUT Nacional, Carmem Foro, em Entrevista ao site da CUT/SE durante rápida visita a Aracaju, marcada por reunião estratégica com trabalhadores rurais, Análise de Conjuntura

Publicado: 14 Março, 2019 - 15h50 | Última modificação: 14 Março, 2019 - 15h52

Escrito por: Iracema Corso

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O futuro do trabalhador rural no Brasil foi o assunto que levou mais de 50 lideranças sindicais de trabalhadores rurais e servidores municipais de Sergipe para participar de reunião com a vice-presidente da CUT nacional, Carmem Foro, na manhã desta quinta-feira, dia 14/3. Análise de Conjuntura e Reforma da Previdência foram os temas tratados nesta atividade que aconteceu na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), em Aracaju.

Com uma história de vida construída na militância junto aos sindicatos de trabalhadores rurais, na coordenação da Marcha das Margaridas, na secretaria de Meio Ambiente da CUT, a vice-presidente da maior central sindical da América Latina concedeu Entrevista para o site da CUT/SE sobre os atuais desafios políticos do movimento sindical, numa conjuntura adversa de ataque aos direitos dos trabalhadores.

 

Qual a situação atual dos trabalhadores rurais do Brasil?
Vivemos 13 anos de novidades na nossa vida, enquanto agricultores familiares. Nós fomos construindo muitas políticas públicas, o acesso à aposentadoria, a assistência técnica e de repente isso tudo foi cortado. No contesto atual, o governo federal está empurrando o trabalhador rural para um quadro de indigência, para que ele sobreviva apenas com ajuda da assistência social. Este governo não reconhece nosso papel produtivo como setor estratégico que coloca comida na mesa do povo brasileiro.

Como a agricultura familiar está sendo destruída?
As políticas públicas foram cortadas em 75%, algumas delas foram zeradas. O contesto é de sairmos da condição de trabalhadores, reconhecidos pela previdência e pela sociedade enquanto produtores de alimentos para sermos empurrados para a condição de indigentes. O governo não investe em políticas públicas para potencializar esta capacidade do seguimento rural. Além disso, não reconhece os direitos que conquistamos. Então estamos vivendo um momento extremamente difícil. A união do trabalhador do campo e da cidade é decisiva.

Quando o trabalhador rural é prejudicado, quais riscos a população brasileira pode sofrer em consequência?

O que está em risco é a nossa soberania alimentar. Além disso, há o risco de termos milhões de brasileiros jogados num quadro de extrema pobreza. Precisamos que o diálogo entre o trabalhador do campo e da cidade se fortaleça. E que a luta seja realmente de classe. Não é só uma luta por emprego, mas por políticas públicas. A agricultura familiar carece de políticas públicas e de previdência social. Para mim, este é o principal desafio: vencer a tentativa de nos empurrar para a indigência.

A respeito dos efeitos da Reforma da Previdência sobre o trabalhador rural, o que mais você destaca?

É inadmissível que as mulheres do campo se aposentem com a mesma idade que os homens. É uma proposta ofensiva, machista, muito perversa com as mulheres. Querer comparar as condições de trabalho das mulheres do campo com as condições de trabalho do homem do campo é algo que não dá pra aceitar. A trabalhadora rural tem tripla jornada de trabalho. Cuida da casa, da comida, das crianças, cuida dos pequenos animais e ainda vai na roça trabalhar, porque isso não é uma ‘ajuda’, é trabalho. Também destaco as dificuldades que a Reforma da Previdência coloca para que não tenhamos acesso à previdência. A medida provisória 871 cria um conjunto de regras que nos exclui.

De que maneira o homem, trabalhador rural, também será prejudicado?
Vamos sofrer muito em relação à idade. Se o trabalhador rural receber R$ 400 do SBPC, ele só deve conseguir receber um salário mínimo quando completar 70 anos, se ele estiver vivo, porque a expectativa de vida no campo não é a mesma do trabalhador da cidade. O desgaste físico é muito grande.

Como o Sindicato dos Trabalhadores Rurais é afetado?

O sindicato tem um papel fundamental na nossa democracia, na organização legítima dos trabalhadores. O governo trata como se o sindicato não existisse. Com a Reforma da Previdência, quem vai dar declaração de que alguém é agricultor familiar é a Prefeitura, não é mais o trabalhador rural, através do sindicato, que faz esta declaração. Veja o absurdo ao qual chegamos! E a Prefeitura, por acaso, conhece todos os trabalhadores rurais? Claro que não. A Prefeitura não tem legitimidade para cumprir um papel que é do sindicato.

 Isso também é uma forma de atingir a autonomia sindical?

Atingir a autonomia sindical é uma tendência do governo federal, desde a reforma trabalhista que acabou com o imposto sindical. Agora também temos a medida provisória de 1º de março, que afeta a liberdade sindical. Isso vai na contramão da democracia brasileira.

Qual o caminho para o trabalhador rural vencer os ataques desta conjuntura adversa?

Precisamos resistir muito. Lutar para que sejamos reconhecidos como trabalhadores e trabalhadoras. Precisamos fortalecer a nossa organização. Nos mobilizar politicamente, porque é a política que muda a vida de todos nós. Precisamos derrubar esta medida provisória e a reforma da previdência, por nós e pelos que virão.

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