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Má qualidade dos EPIs contra Covid-19 impedem retorno das perícias no INSS

Em nota técnica, médicos peritos do INSS afirmam que EPIs não são suficientes para proteger trabalhadores e população contra Covid-19

Publicado: 14 Setembro, 2020 - 16h11 | Última modificação: 14 Setembro, 2020 - 16h19

Escrito por: Iracema Corso

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Entre as 14 agências do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) que existem em Sergipe, apenas as unidades de Aracaju na Avenida Ivo do Prado e no bairro Siqueira Campos, amanheceram lotadas na manhã desta segunda-feira 14/9, data prevista para o início do retorno gradual do atendimento presencial no INSS. Cerca de 250 perícias estavam agendadas para hoje nas agências de Aracaju, no entanto, os médicos peritos do INSS decidiram não voltar ao trabalho por avaliar que os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) disponibilizados não são capazes de proteger os médicos da contaminação pela Covid-19.

Segundo o Coordenador Geral do SINDIPREV/SE (Previdenciários), Joaquim Antônio, houve muita desinformação junto à população ocasionando lotação na porta das unidades do INSS, pois o que estava previsto era o retorno gradual do INSS, com atendimento apenas das 7h às 13h, direcionado exclusivamente para quem já tinha feito o atendimento online.

As demais 12 agências do interior de Sergipe abriram as portas, mas não houve muita procura da população, pois de fato a maioria dos procedimentos vem sendo realizados no formato online, com exceção da perícia que obrigatoriamente é presencial.

Coordenador geral do SINDIPREV/SE (Previdenciários), Joaquim Antônio revelou que a reabertura das agências do INSS, prevista para esta segunda-feira (14/9), foi debatida ao longo da sexta-feira e por todo o fim de semana entre trabalhadores e também com a direção do INSS. Na noite da sexta-feira, chegou a acontecer reunião online das representações sindicais com o presidente do INSS, na qual foi apresentada a Nota Técnico dos peritos médicos reprovando a capacidade de proteção dos EPIs disponibilizados para os trabalhadores do INSS.

“Depois da reunião com o presidente do INSS, realizamos a assembleia geral dos trabalhadores no sábado. E hoje vamos ingressar com uma ação, pois se os EPIs não servem para os médicos peritos, eles não servem para ninguém. Vamos denunciar insegurança sanitária, não podemos retornar sem a proteção devida”, destacou Joaquim.

Abertura segura para servidores e população
O dirigente sindical Joaquim Antônio explicou que antes mesmo dos médicos peritos divulgarem a Nota Técnica sobre os EPIs inadequados, já havia o embate entre a direção da empresa e o sindicato sobre o retorno dos trabalhadores que estão no grupo de risco ou co-habitam com pessoas que estão no grupo de risco.

“Desde o dia 23 de março os servidores do INSS estão trabalhando em casa e mostramos inclusive que este trabalho está sendo muito produtivo. Tínhamos uma fila de 1 milhão e 700 mil processos previdenciários atrasados e conseguimos zerar esta volumosa demanda durante a pandemia da Covid-19. Já o trabalho dos médicos peritos, que só pode ser presencial, ficou com uma demanda acumulada nesta pandemia. Atualmente existem 500 mil solicitação de benefícios que aguardam a perícia para serem liberados”, explicou Joaquim.

Conforme o dirigente sindical, a situação difícil da Covid-19 impõe um grande desafio da gestão local e nacional do INSS. “A reabertura do INSS precisa ser feita de forma segura para os trabalhadores e a população. A Covid-19 é uma realidade e boa parte do público atendido no INSS são idosos, gestantes, é a população que pertence aos grupos de risco. Então precisamos de um cuidado redobrado. Não adianta abrir se os médicos peritos afirmam que é alto o risco de contaminação e morte por Covid-19”, destacou Joaquim.

Na manhã desta segunda-feira (14/9), foi publicada uma liminar proibindo a reabertura do INSS no Estado de São Paulo, devido ao risco de contaminação por Covid-19. Em todo o Brasil, o INSS possui cerca de 15 mil trabalhadores. Pelo mesmo motivo de insegurança sanitária, além de São Paulo, outros sete Estados brasileiros não retomaram o atendimento presencial.