A Central Única dos Trabalhadores (CUT) manifesta seu total repúdio à decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo pedido da direção dos Correios, para suspender pontos fundamentais da sentença normativa do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que garantia direitos aos trabalhadores e às trabalhadoras após a greve de dezembro de 2025.
A decisão liminar do Ministro Alexandre de Moraes, ao atender recurso da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), não apenas retira benefícios conquistados pelos trabalhadores e pelas trabalhadoras ao longo da história, como representa um forte retrocesso para a negociação coletiva, para a mobilização e organização da classe trabalhadora e para a justiça do trabalho. Além disso, a decisão do STF se dá em um momento de asfixia financeira para esses trabalhadores que já estão há meses com salários congelados, ampliando perdas imediatas e atingindo o orçamento da família desses trabalhadores, às condições dignas de trabalho e de descanso. Entre os pontos suspensos estão o ticket extra, a gratificação de férias de 70% e o adicional para trabalho em dias de repouso. Entretanto, o ponto mais delicado é a alteração no custeio do plano de saúde, o que pode representar deixar milhares de funcionários da ativa e aposentados em situação de vulnerabilidade.
Os Correios desempenham um papel fundamental no desenvolvimento do Brasil ao longo de sua história, contribuindo para a integração do território nacional e para a circulação de bens, informações e serviços essenciais. Presente em todos os municípios brasileiros, inclusive nos mais remotos, a empresa garante o acesso da população à comunicação, ao comércio e a políticas públicas, reduzindo desigualdades regionais e promovendo inclusão social. Além de sua importância logística para a economia, especialmente para micro e pequenos empreendedores e para o comércio eletrônico, os Correios cumprem um relevante papel social ao oferecer serviços acessíveis, gerar empregos e fortalecer a cidadania, sendo um elo de conexão que aproxima pessoas, empresas e o Estado em todo o país.
Esse trabalho só se torna possível graças ao empenho e à dedicação dos trabalhadores e das trabalhadoras dos Correios, que são a base da instituição e garantem seu funcionamento diário em todas as regiões do país. São eles e elas que, com compromisso, profissionalismo e profundo senso de missão pública, superam desafios logísticos, geográficos e sociais para assegurar que cartas, encomendas e serviços cheguem a cada cidadão brasileiro, que fortalecem o papel social dos Correios, promovem inclusão, sustentam a economia e reafirmam a importância do serviço público para o desenvolvimento do Brasil e para a construção de uma sociedade mais justa e conectada.
A CUT segue mobilizada em defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras dos Correios e defende os direitos conquistados no dissídio coletivo de greve aprovado pelo TST. Como patrimônio público, os Correios necessitam da atenção e dos cuidados que vem recebendo por parte do Governo Federal na busca por solucionar as dificuldades enfrentadas no último período para que possa seguir atuando e prestando serviços à sociedade brasileira. Entretanto, não há alternativas, debates de rumos sérios e solução de problemas sem a participação dos trabalhadores e das trabalhadoras dos Correios, com a retirada de direitos históricos conquistados e sem respeito à liberdade de mobilização e de organização sindical. Defender os Correios como patrimônio público e os direitos de seus trabalhadores e trabalhadoras é defender a soberania, a integração nacional e o interesse coletivo do povo brasileiro.
Se é importante para o povo brasileiro, é uma luta da CUT!
02 de fevereiro de 2026
Direção Executiva Nacional da CUT