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“Ô deputado, fala a verdade, educação nunca foi prioridade”(professores)

Apelo dos professores na Alese foi ignorado pela maioria dos deputados que aprovou projetos de Belivaldo para entrega da proposta pedagógica de alfabetização à iniciativa privada e sistema de avaliação punitivo

Publicado: 31 Outubro, 2019 - 15h56 | Última modificação: 31 Outubro, 2019 - 16h40

Escrito por: Iracema Corso

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Entregando à iniciativa privada a proposta pedagógica de alfabetização e instituindo um sistema de avaliação punitivo contra os professores, a maioria dos deputados estaduais de Sergipe aprovou na quarta-feira (30/10) os projetos de lei 208/2019 e 212/2019. Ambos de iniciativa do governador Belivaldo Chagas, os projetos foram apresentados à Assembleia Legislativa sem qualquer diálogo com os principais interessados: a comunidade escolar.

O Sintese, a CUT e uma multidão de professores encampou uma longa batalha das 6h30 da manhã até o fim da tarde, na Assembleia Legislativa de Sergipe, de onde acompanharam a votação nas galerias do plenário, na sala das comissões temáticas e numa tenda montada na Pça Fausto Cardoso.

Iran Barbosa, Maria Mendonça, Kitty Lima, Gilmar Carvalho e Georgeo Passos foram os únicos deputados estaduais que escutaram os apelos dos professores na ALESE e votaram contra os projetos de Lei do Governo do Estado. Os deputados Samuel Carvalho e Talison de Valmir votaram contra o sistema de avaliação e aprovaram o projeto Alfabetização pra Valer. Com exceção do deputado Janier que não compareceu e do presidente da Alese que não vota, os demais deputados estaduais aprovaram os projetos do governador Belivaldo.

O professor Dudu, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), denunciou que logo cedo o movimento sindical foi impedido de entrar na ALESE. “Fomos surpreendidos por uma armação para barrar a entrada dos professores até as galerias da Alese para acompanhar a votação de dois projetos polêmicos que atacam o magistério sergipano. Às 7h da manhã, as galerias já estavam ocupadas pelo staf da Secretaria da Educação. Essa foi a justificativa para a polícia barrar a nossa entrada. Mas nós não desistimos. O professor Joel Almeida, a professora Ivonete Cruz chamaram os professores que estavam aqui nos arredores da assembleia e nós fizemos um grande protesto. Depois de muita negociação, conseguimos entrar. O governo tem destratado e atacado o Magistério, mas estamos resistindo e esta é a nossa postura, resistir sempre”.

A diretora nacional da CUT, Ângela Melo, também participou do protesto dos professores na ALESE. “O Governo enviou dois projetos que criminalizam o professor e não foram discutidos com a comunidade escolar, professores, estudantes. São dois projetos, um trata da avaliação e o professor nunca foi contra a avaliação, mas defende a avaliação do sistema inteiro: do professor, da Secretaria de Educação, das DRs, das condições de trabalho... A forma da avaliação proposta é o que nós repudiamos, pois é uma forma que criminaliza o professor. O outro projeto de alfabetização na verdade quer privatizar a gestão da escola, também é um projeto que não interessa para a educação pública. O professor alfabetizador tem autonomia pedagógica em sala de aula. Ele é uma autoridade intelectual. Então é lamentável que a maioria dos deputados e deputadas desta casa legislativa aprove projetos sem serem discutidos com quem trabalha todos os dias com a educação”.  

Manobras para aprovar SAESE e Alfabetização pra Valer

Na Sala das Comissões Temáticas, o SINTESE denunciou manobra para aprovação dos projetos do SAESE e da Alfabetização pra Valer. Na Comissão de Educação, o projeto do SAESE teve 4 votos contrários e 2 favoráveis. Com isso o projeto seria rejeitado. "Foi uma situação vexatória, o governo usou de todas as manobras possíveis e até imaginárias para empurrar de goela abaixo projetos que não vão resultar na melhoria da Educação. Com as escolas sucateadas, magistério desvalorizado, precariedade na alimentação e no transporte escolar não será uma avaliação que trará uma Educação de qualidade", denunciou professora Ivonete Cruz, presidente do SINTESE e membro da Direção Nacional da CUT. Acesse o link e leia a matéria do SINTESE sobre a votação na Sala das Comissões. Governo Belivaldo usa de manobras legislativas para aprovar SAESE e Alfabetização pra Valer

No Plenário

Teve início um bate boca entre professores e o deputado Zezinho Guimarães que decidiu mostrar num telão que os índices de alfabetização em Sergipe são os piores do Brasil. Diante da situação, os professores começaram a reagir falando alto e cobrando que o governo seja avaliado por abandonar as escolas. “Ele mexeu com os brios dos professores que estavam na galeria. Como pode cobrar um bom desempenho da educação se o governo sucateia as escolas? Os professores tiram leite de pedra, levando-se em consideração o abandono das escolas e as baixas remunerações. Como produzir intelectualmente quando se falta nas escolas alimento pras crianças e até um quadro pra escrever? Como avaliar um aluno que passou o ano inteiro sem professor de várias disciplinas? Se a avaliação for pra valer, o governador vai ser reprovado por nota 0”, declarou o presidente da CUT/SE, Rubens Marques, o professor Dudu.

Segundo o presidente da CUT/SE, outro ponto que irritou muito os professores foi o nome do programa ‘Alfabetizar pra Valer’. “Então antes não era pra valer? Era de brincadeira? Apesar de tudo, a resistência do professor deixou claro que muita luta ainda vai acontecer. O projeto pode ser legal porque foi legitimado pela ALESE, mas é imoral, e tudo que é imoral tem que ser combatido”, observou o professor Dudu enfatizando que a luta não acabou.