Opinião: Entre o brilho da avenida e a sombra da transmissão
A cobertura vergonhosa da Globo
Publicado: 20 Fevereiro, 2026 - 14h09 | Última modificação: 20 Fevereiro, 2026 - 14h15
Escrito por: Ricardo André, dirigente do SINTESE
Não tenho o hábito de acompanhar desfiles de escolas de samba. No entanto, no último dia 15, fiz questão de assistir à apresentação da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói. O motivo foi claro: tratava-se de um desfile que prometia entrar para a história ao prestar uma homenagem em vida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma das maiores lideranças políticas da história do país.
Com o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola levou à avenida uma narrativa construída a partir da trajetória de um homem que saiu do chão da fábrica para ocupar a Presidência da República. O enredo percorreu momentos marcantes da história política recente do Brasil, misturando emoção, crítica social e exaltação popular — elementos que sempre estiveram no DNA do Carnaval.
Entretanto, a TV Globo inconformada com o enredo da escola, boicotou o tempo todo o desfile da Acadêmicos de Niterói, gerando indignação em grande parte do público. A emissora iniciou a exibição com atraso significativo, não apresentou o início do desfile e evitou aprofundar comentários sobre o enredo. Ao invés de deixar o público ver a escola, a Globo colocou seus jornalistas constrangidos para praticarem anti jornalismo, falando abobrinhas para gastar o precioso tempo, tudo para esconder a importância do desfile histórico da Acadêmicos de Niterói. Em vários momentos, os comentários pareciam dispersos, superficiais ou deslocados do que acontecia na avenida. Alas importantes foram exibidas rapidamente, e personalidades que compunham o espetáculo tiveram pouca visibilidade. A sensação transmitida foi a de um distanciamento editorial diante do conteúdo apresentado pela escola.
Foi vergonhosa a transmissão da Globo e completo desrespeito com a escola. Mas já era de se esperar. Dias antes, na programação da GloboNews, já haviam sido levantadas críticas ao tema escolhido pela agremiação, com insinuações de que a homenagem poderia configurar propaganda eleitoral antecipada. Esse contexto ampliou a percepção de que a cobertura teria sido influenciada por desconforto político.
É preciso lembrar aos "Marinhos" e a alguns jornalistas "recalcados" da Globo que o Carnaval é, historicamente, um espaço de manifestação cultural livre. Ao longo dos anos, a Marquês de Sapucaí já foi palco de enredos que exaltaram figuras políticas, denunciaram injustiças sociais e revisitaram capítulos complexos da história nacional. Narrar a trajetória de uma liderança política — sobretudo alguém que marcou profundamente a vida institucional do país — pode ser entendido como parte dessa tradição de contar a história do Brasil pela lente do povo.
Independentemente das posições políticas individuais, o desfile da Acadêmicos de Niterói foi celebrado pelo público presente, que respondeu com entusiasmo à narrativa apresentada. A escola brilhou na avenida e cumpriu seu papel artístico: provocar, emocionar e gerar debate.
O episódio também evidencia algo maior: a disputa pelas narrativas sobre quem conta a história do Brasil e de que forma ela deve ser contada. No Carnaval, muitas vezes, é o povo quem assume esse papel — com samba, fantasia e memória coletiva.
Viva Lula, guerreiro do povo brasileiro! Fora Globo vergonha nacional!!