Opinião: Repúdio aos vereadores de Aracaju que aprovaram PL das escolas militares
Publicado: 22 Dezembro, 2025 - 12h29 | Última modificação: 22 Dezembro, 2025 - 16h38
Escrito por: Escrito por Paulo Lira (Secretário de Organização e Política Sindical da CUT-SE)
Nada justifica a aprovação do Projeto de Lei que institui escolas militares em Aracaju. Este absurdo aconteceu na Câmara de Vereadores de Aracaju e os únicos vereadores que votaram contra essa proposta foram Camilo Daniel (PT), Iran Barbosa (Psol), Sônia Meire (Psol), Selma França (PSD) e Elber Batalha (PSB).
O cúmulo do absurdo é que a propositura foi da vereadora Moana que sequer estava presente na sessão para explicar qual o sentido deste projeto de lei.
Nós, professores, sabemos que a rede municipal de educação de Aracaju necessita de investimento, de manutenção, de creches para atender à população, além disso há necessidade de condições mínimas para o funcionamento das escolas da rede municipal. No entanto, para que as medidas mais urgentes sejam tomadas é preciso que haja mais investimento para a educação pública. E esta é uma questão grave que precisamos abordar, pois o projeto de lei foi aprovado sem haver Lei de Diretrizes Orçamentárias, ou seja, não há financiamento.
A justificativa de que as escolas militares ajudariam na segurança é uma explicação que não se sustenta, pois, as escolas da rede municipal de Aracaju não são violentas!
Do ponto de vista pedagógico, não existe nada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nenhuma construção teórica, nem o Conselho Nacional de Educação nunca escreveu nada sobre escola cívico militar. Isso é da cabeça de quem não entende de educação. Ou acha que educação é só instrução. A escola cívico militar não está dentro dos princípios pedagógicos da LDB, portanto é uma proposta que também não tem sustentação pedagógica.
E afinal de contas, estamos falando de educação ou de segurança pública? No âmbito da educação básica, tratar as crianças e adolescentes que estudam nas escolas públicas de Aracaju como uma questão de segurança pública é uma atitude excludente, abjeta e preconceituosa.