Escrito por: Iracema Corso

Pelas ruas de Aracaju: Consciência de classe e folia de Carnaval no 20º Siri na Lata

Bloco de Carnaval da CUT critica privatização da água, cobra fim da escala 6x1 e a aplicação da Lei do Descongela em benefício dos servidores públicos dos municípios, Estado e União

“Não tem água pra Ioiô, não tem água pra Iaiá” é a marchinha do 20º Siri na Lata, o Bloco de Carnaval da Central Única dos Trabalhadores (CUT-Sergipe) que na manhã desta sexta-feira 13 de fevereiro, circulou as ruas do Centro de Aracaju perguntando o que toda a população de Sergipe quer saber: cadê a água?

Com galões de água e baldes vazios, as lideranças sindicais denunciaram a privatização da água de Sergipe, que piorou muito o serviço de abastecimento de água nas residências, deixando a população sem este bem essencial para a vida.

“Foi isso que a privatização da Deso trouxe para a casa dos sergipanos: lavar roupa na mão, porque não tem pressão suficiente para lavar a roupa na máquina ou pra fazer uma faxina na casa, pra tudo a gente precisa de água. E me disseram que iam privatizar para melhorar o serviço”, afirmou Carol Rejane, vice-presidenta da CUT-SE.

O presidente da CUT-SE, Roberto Silva, lembrou que já tem 1 ano de privatização, teve aumento da conta de água e o serviço não melhorou em nada. “O serviço da Iguá tá bem pior. É muita irresponsabilidade deste Governo e desrespeito com a população”, declarou o presidente da CUT-SE, Roberto Silva.

“A conta está paga, mas na torneira não cai uma gota. Cadê a água, Iguá? Estamos na luta também porque não podemos continuar num regime de trabalho que não garante, no mínimo, dois dias de descanso para a classe trabalhadora viver com direito ao lazer, à família. Dois dias para vivermos do jeito que quisermos. Então é isso que queremos com este carnaval: é luta sim, é felicidade também. Mas sempre com consciência de que nós vamos continuar lutando por cada conquista para a classe trabalhadora”, discursou o professor Benizário Júnior do município de Lagarto.

Na 20ª edição do Siri na Lata, as lideranças sindicais lutam pelo fim da escala 6x1, que já está tramitando no Congresso Nacional e que é muito importante para assegurar o direito da população à vida além do trabalho.

Presidente da Associação Dialogay e diretor da CUT-SE, o professor Paulo Lira também ressaltou a importância da conquista da redução da jornada de trabalho. “A luta da CUT é pela redução da jornada de trabalho que é extremamente exaustiva. Dialogamos com os trabalhadores do comércio para explicar que somos contra a escala 6x1. A CUT, com a Dialogay, a Fetam e o Sintese, denunciamos os governos que negam direitos aos trabalhadores e inclusive à classe trabalhadora LGBTQIAPN+”, disse Paulo Lira.     

A imediata aplicação da Lei do Descongela, foi mais uma pauta de destaque do bloco Siri na Lata para que seja corrigida uma injustiça contra os servidores públicos que ficaram com direitos congelados desde a pandemia da Covid. Esta luta trouxe para a manifestação em Aracaju lideranças sindicais da Fetam/Se (Federação dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Sergipe), além de servidores públicos municipais de Muribeca, Poço Verde, Itabaiana, Lagarto, São Francisco e Malhada dos Bois.

Vanessa Ferreira frisou a necessidade de valorização dos servidores públicos. “Os servidores públicos municipais têm um trabalho muito precarizado. Por isso todo projeto de lei que for para retirar direitos desses trabalhadores precisa ser combatido pelo movimento sindical. O cidadão tem acesso ao serviço público através dos servidores. Denunciamos que tem municípios sergipanos que ainda não deram o reajuste aos servidores referente ao ano de 2026”, reivindicou.

Vanessa Ferreira citou o caso do município de Itabi que paga aos servidores municipais um salário base do salário mínimo, o que é ilegal.

 

20 ANOS DE SIRI NA LATA

São 20 anos de Siri na Lata, e o ex-presidente da CUT-SE, Antônio Góis, lembrou como foi criado o Bloco de Carnaval da CUT-SE. 

Há 20 anos, o protesto da CUT-SE em defesa das vítimas de acidentes no trabalho coincidiu com a sexta-feira de carnaval. Assim surgiu a ideia de criar um movimento de protesto unificando o clima carnavalesco com as reivindicações dos trabalhadores sergipanos.

“Em 20 anos de luta, o Siri na Lata já fez história e sempre deixa a sua marca na abertura do carnaval sergipano com sua irreverência, protesto e reivindicações dos trabalhadores. Inclusive é o bloco de carnaval da CUT, mas abraça os movimentos sociais e movimentos populares que se somam a esta festa mantendo acesa a luta dos trabalhadores no Carnaval”, avaliou Antônio Góis.

Nesta sexta-feira de carnaval, também teve o Bloco Siri na Lata em Estância. Acesse as redes sociais da CUT-SE e veja vídeos e fotos do 20º Siri na Lata.