Foi um lindo dia de terça-feira, 25 de agosto, que Coletivo de Economia Solidária da Central Única dos Trabalhadores (CUT) se reuniu na sede da central para tratar de encaminhamentos rumo à compreensão da legislação da economia solidária. Veio gente de longe e o debate rendeu... Ficou marcado para novembro um novo encontro para aprofundar a discussão sobre economia solidária na perspectiva CUTista.
A atividade foi coordenada pelo secretário de Organização e Política Sindical, o professor Paulo Cesar Lira. “O objetivo dessa formação foi impulsionar a economia solidária e fortalecer as trabalhadoras que estudam este tema e estão na linha de frente da economia solidária, que já é um debate do movimento sindical e da CUT”, explicou Paulo Lira.
A pescadora Zilda Souza, presidenta da Associação de Mulheres e Homens Ribeirinhos Nossa Senhora Aparecida Serrão/Ilha das Flores, que reúne mais de 406 associados ribeirinhos do Povoado Serrão, no Baixo São Franscisco, explicou que a formação é fundamental para a elaboração de projetos e planos de trabalho que são necessários.
“Eu já fiz alguns cursos no estado de Sergipe sobre a economia solidária, mas não tinha essa informação sobre a lei que apoia a economia solidária através de editais e captação de recursos. Para mim, foi muito importante”, explicou a pescadora Zilda.
Edjan Alves das Neves, presidenta da Associação de Pescadores Evangélicos de Betume, contou sobre as dificuldades encontradas para elaborar um plano de trabalho e solicitou aos gestores públicos uma capacitação online, que foi realizada e resolveu o problema.
A pescadora Maria Aparecida Vieira Xavier, presidenta da Associação de Mulheres Ribeirinhas dos Povoados Resina/Saramém, no município de Brejão, participou da reunião na CUT e levou mais duas pescadoras de sua comunidade com o objetivo de multiplicar o conhecimento em sua comunidade ribeirinha.
“Já temos projeto para produção do óleo de coco e para a construção de 100 casas. Vamos fazer um projeto junto com a CUT. Estamos com muitas ideias porque tem muita criança na comunidade. Os jovens da comunidade ribeirinha estão todos indo embora porque não tem trabalho, então ficam só os pequenininhos. A pescaria acabou no povoado de Resina, o peixe acabou. Aí o manguezal também está acabando e os jovens estão indo embora para trabalhar na cidade e ajudar seus pais. Por isso é tão importante a economia solidária para fortalecer nossa comunidade”, observou Cida.
A vice-presidenta da CUT-SE, Carol Rejane, destacou que a falta de oportunidade é uma questão central no desemprego, por isso é importante conhecer a economia solidária e se unir para construir soluções que favoreçam toda a comunidade.
Durante a reunião o assessor jurídico da CUT-SE, José Júnior Carvalho, exibiu o documentário mostrando a experiência da economia solidária que gerou desenvolvimento econômico e social através da criação da moeda Palmas, no Nordeste brasileiro. Acesse o link e veja: https://youtu.be/notDhUpuzhY?is=Sbszl3ulSZBFRdCz
Apesar da quase totalidade do público presente no encontro ser formado por mulheres ribeirinhas, a agricultora Maria do Carmo Batista, secretária de Saúde do Trabalhador da CUT-SE e presidenta do STTR-São Cristóvão, reforçou que não é só a trabalhadora ribeira que pode ser beneficiada pela economia solidária.
“Hoje, com o Coletivo de Economia Solidária da CUT, o objetivo é ampliar o debate da economia solidária para todas e quaisquer associações filiadas à CUT. Com a formação, podemos trabalhar de forma diferenciada, com qualidade, com consciência, com empoderamento, formação, com o acompanhamento do trabalhar para não gerar prejuízos. Para isso, a gente precisa estar capacitada e empoderada. Assim podemos acompanhar e disputar editais para fazer um trabalho diferenciado nos municípios”, declarou Maria do Carmo.
Para Quitéria Santos, diretora da CUT-SE e presidenta do Sindoméstica/SE, é muito importante que todas e todos interessados em conhecer a economia solidária saibam que o trabalho da economia solidária não é individual, é cooperativo.
“Se você se juntar e negociar junto, você se torna um membro da economia solidária, pois, a economia não é solidária se você trabalha e vende por conta própria. A economia solidária é você se unir, se juntar e dividir para todos que trabalham ali por igual”, acrescentou Quitéria Santos.
Assim que for definida a data da próxima reunião de formação sobre a temática, a CUT Sergipe vai divulgar em seu site e redes sociais. Aguardem!