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"Precisamos de apoio popular por uma nova política do petróleo" afirma FUP

Dirigente sindical alerta que só haverá preço justo do diesel, gasolina e gás de cozinha com a mudança definitiva da política nacional do petróleo

Publicado: 10 Fevereiro, 2021 - 09h44 | Última modificação: 10 Fevereiro, 2021 - 10h04

Escrito por: Iracema Corso

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A destruição da Petrobrás, iniciada no golpe à democracia de 2016, continua com força total. Na segunda-feira, dia 8 de fevereiro, a população brasileira teve duas péssimas notícias. A primeira: o aumento no preço do gás de cozinha em 5,1%, o aumento do diesel em 6,2% e o aumento da gasolina em 8,2%. A segunda má notícia foi a venda para o fundo Mubadala Capital da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), localizada na cidade São Francisco do Conde, na Bahia.

Estudiosos do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) afirmam que o governo Bolsonaro vendeu a refinaria por R$ 1,65 bilhão, metade do seu preço estimado entre R$ 3 e 4 bilhões. A medida foi o estopim da insatisfação dos petroleiros baianos que decretaram estado de greve no mesmo dia.

Dirigente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar lembrou que a política de preços da Petrobrás foi alterada logo depois do golpe de 2016 contra a democracia brasileira.

“Em outubro de 2016, o então presidente da Petrobrás, Pedro Parente, com um ordenamento do governo federal golpista e entreguista de Temer, juntos eles mudaram o ordenamento da política de preços dos combustíveis da Petrobrás aplicando um Preço de Paridade de Importação, o famoso PPI”, resgatou Deyvid. 

O dirigente sindical explicou que foi a partir de Temer que os preços dos derivados de petróleo (gasolina, gás de cozinha e diesel) se tornaram elevados e abusivos, sendo preços compostos: pelo preço do barril de petróleo no mercado internacional; o câmbio, a variação do dólar; e os custos de importação desses derivados.

“Desde então estamos denunciando que é impraticável nós pagarmos aqui um preço de paridade de importação porque essa grande empresa que é a Petrobras ainda é uma empresa verticalizada, integrada com exploração, produção de petróleo, refino, transporte, distribuição e comercialização. Mais de 70% do custo da produção é em real. Não tem o menor cabimento que o custo interno, nacional, siga o parâmetro da dolarização, do mercado internacional do Petróleo”, criticou Deyvid.

Fruto da política do petróleo implantada por Temer, vimos um cenário de preços abusivos de todos os derivados do petróleo, o que culminou com a greve dos caminhoneiros de 2018. “A solução daquela greve foi um paliativo. O que tem que mudar é a política do petróleo”, destacou Deyvid.

Dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT Sergipe) e da FUP, Ivan Calazans reforçou a necessidade de uma solução definitiva para o problema com a mudança da política do petróleo. “Este não é um assunto só dos petroleiros. É necessário que toda a sociedade brasileira participe e apoie o movimento pela mudança da política do petróleo. Precisamos nos unir e de uma ação organizada. Não dá para continuar trabalhando, recebendo em real e pagando gasolina em dólar, com o preço do diesel e do gás de cozinha descontrolado”, defendeu Ivan.

Presidente da CUT Sergipe, Roberto Silva observou que em dois anos Bolsonaro não fez nada para melhorar a situação dos caminhoneiros que dependem do diesel, nem da população que usa gás de cozinha e gasolina. “Bolsonaro mantém a política suicida de Temer. Por isso é preciso lutar para reverter este quadro que diariamente prejudica a população brasileira”, afirmou.

Contra a venda da Refinaria Landulpho Alves (Rlam) e contra a destruição da Petrobrás, trabalhadores construíram o ato ‘Esquenta para a Greve’, desde às 7h da manhã desta quarta-feira, dia 10 de fevereiro, no Trevo da Resistência, na BA 523, via de acesso à Refinaria Landulpho Alves (Rlam). A mobilização conta com a participação de moradores, comerciantes e parlamentares das cidades de São Francisco do Conde, Candeias, Madre de Deus e São Sebastião do Passé, que terão a sua economia duramente afetada com a venda da refinaria.