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Sindomestica luta pela vida, saúde e dignidade das trabalhadoras no surto de Covid

Apoie a Campanha ‘Cuida de quem te cuida’. Acesse o site e participe desta luta

Publicado: 22 Maio, 2020 - 17h06 | Última modificação: 22 Maio, 2020 - 18h33

Escrito por: Iracema Corso

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O Brasil supera a marca dos 310 mil contaminados por Covid-19, chega a 1.188 mortes em 24h e quase 126 mil recuperados. Alguns estados consideram que o fechamento completo do comércio, restando apenas os hospitais será a única forma de reduzir a contaminação crescente do vírus para evitar o caos completo de todos os sistemas de saúde do País.

Em meio a este cenário, trabalhadoras domésticas do Maranhão, Ceará e Rio Grande do Sul estão sendo obrigadas a deixar suas casas e suas famílias para continuar trabalhando nas casas de seus patrões, contrariando a orientação do Ministério Público do Trabalho.

O movimento sindical de trabalhadoras domésticas vem pedindo o apoio de outras categorias de trabalhadores para pressionar o procurador geral do MPT, exigindo uma interferência em tais estados e cobrando o direito das trabalhadoras domésticas à vida e à saúde.

Para participar da mobilização em apoio às trabalhadoras domésticas, basta acessar o site www.cuidadequemtecuida.bonde.org/ digitar o seu nome e e-mail e enviar um e-mail direto pra caixa de entrada do procurador.

Trabalhadoras Contaminadas
Uma das primeiras vítimas pelo Coronavírus no Brasil foi justamente uma trabalhadora doméstica, a senhora Cleonice de 63 anos, hipertensa, diabética, que trabalhava há 20 anos num apartamento no Leblon, no Rio de Janeiro. Sua patroa tinha retornado recentemente da Itália e estava em quarentena dividindo o mesmo espaço de convívio com a trabalhadora doméstica.

Ainda no mês de março, a morte de Cleonice por Covid deixou o movimento de trabalhadoras domésticas no Brasil em estado de alerta, pois este não poderia ser o destino de 7 milhões de trabalhadoras domésticas que, segundo estimativas, é o quantitativo de trabalhadoras que têm vínculo formal e informal no País.

Além do risco do contágio por Covid, as trabalhadoras domésticas enfrentaram o risco da fome. No fim de abril, uma pesquisa divulgada pelo Instituto Locomotiva divulgou que 39% dos patrões haviam dispensado a diarista sem manter qualquer remuneração e 13% dos empregadores suspenderam o contrato formal por carteira assinada.

Como estão as trabalhadoras domésticas de Sergipe?
No Estado de Sergipe, para prestar apoio às trabalhadoras diante desta situação preocupante, o movimento sindical iniciou no mês de abril uma campanha para arrecadação de alimentos e doação de cestas básicas para as trabalhadoras domésticas que foram duramente atingidas pela pandemia.

Vice-presidente do SINDOMÉSTICA/SE e dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), Quitéria Santos afirmou que em Sergipe mais de 100 trabalhadoras domésticas foram dispensadas durante a pandemia do Coronavírus e uma média de 70 diaristas procurou a ajuda do sindicato que arrecadou e distribuiu máscaras de pano e cestas básicas.

“Continuamos arrecadando através da doação em dinheiro ou alimento não perecível. Contamos com importante ajuda do SINDASSE e do SINTESE na primeira leva de cestas básicas, mas sindicatos, organizações e todos que quiserem doar podem nos procurar, pois a cada mês as famílias de trabalhadoras domésticas que ficaram desamparadas com a pandemia buscam por este apoio”, explicou Quitéria.

Segundo a dirigente sindical, muitas diaristas que não integram o grupo de risco voltaram a trabalhar usando máscara, mantendo o distanciamento social, lavando as mãos com freqüência e tomando todos os cuidados possíveis. “Sabemos que a volta ao trabalho é muito arriscado. Através do transporte coletivo, muitas trabalhadoras domésticas podem se contaminar”.

A trabalhadora doméstica Carla Cristina gravou um vídeo e postou nas redes sociais agradecendo aos patrões contaminados pelo Coronavírus que levaram ela e seu filho para fazer o exame, que resultou negativo.

No entanto, durante o surto do Coronavírus, trabalhadoras domésticas também têm sido vítimas de assédio e discriminação. “Recebemos denúncias de que alguns prédios em Aracaju estão proibindo a trabalhadora doméstica de usar o elevador. Existem prédios de 17, de 20 andares, então eu considero uma crueldade com as trabalhadoras domésticas, não podemos aceitar isso. Algumas delas têm idade avançada, todas realizam um trabalho duro nas casas onde trabalham e estão sendo impedidas de usar o elevador”, denunciou.

Quitéria Santos ressaltou a importância do apoio do movimento sindical à categoria das trabalhadoras domésticas. “Peço a todos que acessem o site da nossa campanha. Prestem este apoio. É revoltante e inaceitável este tratamento dado às trabalhadoras domésticas nesta batalha contra o Coronavírus”, observou.