Escrito por: Iracema Corso

Visibilidade trans: CUT-SE participa de Roda de Conversa na Casa Arco Íris

Na Casa Arco Íris, sede da Dialogay, a Central Única dos Trabalhadores (CUT-SE) participou, na sexta-feira, dia 30/1, da Roda de Conversa “Vozes Trans em um Diálogo Transancestral”, com as palestrantes Zaila Luz e Maria Luz.

A atividade fez menção ao Dia da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, e contou com terapia Thetahealing conduzida pela terapeuta Thais Voices, programação cultural, e Ballroom: Apresentação da Casa Ratturas.

Presidente da Dialogay e secretário de Organização e Política Sindical, Paulo Lira falou sobre a necessidade de união das organizações para transformar este cenário de violência que atinge a população trans do Brasil.

“Nós voltamos, recomeçamos, para somar à luta por direitos humanos. Não podemos admitir que o Brasil seja o País que mais mata pessoas trans. A expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é 35 anos de idade. A gente precisa mudar este cenário”, declarou Paulo Lira.

Universo trans em números: trabalho, direitos e segurança. Especial traz um resumo dos dados sobre mercado de trabalho, quais os direitos e os números da violência no país que continua sendo o que mais mata pessoas trans no mundo (acesse o link e saiba mais).

Zaila Luz contou um pouco da sua história de vida e reforçou a importância do censo LGBTQIAPN+.

“Fui uma criança em situação de rua. Através da Uneafro Brasil, comecei a estudar, e os estudos abriram meus caminhos. Eu e Maria começamos a estudar num cursinho popular. Fomos para um núcleo no Centro de São Paulo, que era na região da Luz. Lá trabalhamos junto com o padre Júlio Lancellotti. Foi quando a gente aprendeu a palavra ‘humanização’ e a fazer pelo outro sem esperar nada”, afirmou Zaila.

Após trabalhar voluntariamente na pandemia, preparando as três refeições do dia para a população da região da Cracolândia e fazendo a entrega de cestas básicas para famílias LGBTQIAPN+, hoje Zaila Luz e Maria Luz são formadas em Pedagogia e co-fundadoras da rede Amalgamar, que combate a insegurança alimentar.

Zaila Luz também destacou que janeiro é o mês lilás, da visibilidade trans e falou sobre a inauguração de um novo ambulatório em Sergipe para atender à população trans. “O acesso à saúde para a população trans é dignidade. Isso é muito importante. A gente tem que ter acompanhamento médico. Eu venho de uma transição em que a gente se auto medica, só depois fui entender o que era um endocrinologista, e por aí a gente vai se emancipando”, declarou.

Maria Luz defendeu a criação de uma rede de apoio para a população trans em Sergipe. “Precisamos criar este lugar seguro para a população trans de Aracaju e de todos os municípios de Sergipe. Precisamos nos unir e avançar, para que a gente não olhe só para as nossas travestis nas esquinas, em lugares de marginalização, mas pelo contrário, que a gente possa ter pessoas trans incluídas e trabalhando em todos os lugares. E que as nossas crianças possam ser crianças, com direito a brincar e ao lazer”, afirmou.